Desafios do uso de canabinoides na saúde: “precisamos focar os estudos nos pacientes e não nos produtos”

Ainda que o uso de canabinoides para tratamentos de saúde já seja uma realidade no Brasil, o tema ainda é incipiente. A possibilidade de trazer alívio e qualidade de vida a portadores de doenças neurológicas, mentais e dores crônicas esbarra na insuficiência de investimentos na área de saúde para fomentar estudos focados em pessoas. “Observamos que o mercado é muito voltado ao produto, seria muito importante criar uma força tarefa direcionada aos pacientes; para garantir que todo mundo tenha segurança na prescrição e no uso de canabinoides a longo prazo” – a fala é do neurologista Leonardo Valente Camargo, que participou de um painel sobre os desafios para ampliar o uso de canabinoides para tratamentos medicinais no Brasil. O painel também contou com a presença de Romeu Fadul Jr., do Biocase Group; e de Simone Pellegrino, da Health Meds.

Os profissionais trouxeram dados sobre o mercado de canabinoides em outros países que já têm as regras de comercialização bem definidas, como Estados Unidos, Canadá e Austrália; e o potencial de crescimento aqui no Brasil. “O cenário é muito limitado: temos 238 empresas que importam para nosso país, em diferentes formas; 19 produtos que podem ser comprados na farmácia, e uma demanda de pedidos que chegou perto de 80 mil cadastros em 2022”, citou Romeu Fadul Jr. Fadul destacou que, simultaneamente à ampliação do uso, é necessário investir em capacitação da área de saúde para que a prescrição seja eficaz e adequada ao quadro de cada indivíduo. “Estamos em um momento de travessia, os produtos liberados não são utilizados no tratamento de doenças, mas para complementar tratamentos que ainda não proporcionaram o bem-estar que o paciente precisa”, complementou Simone Pellegrino.

Os três palestrantes destacaram a importância de criar fundos de investimentos para fortalecer institutos de pesquisa e ciência: “Sabemos que funciona muito bem, em muitas condições. Precisamos de dados para prescrever os canabinoides com segurança”.

Texto: Básica Comunicações

Fotos: Fábio Ortolan, Fernando de Souza e Brunno Covello


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